"Escrevo antes de saber se o FC Porto passou às meias--finais da Liga dos Campeões. Pouco importa. Nada do que possa ter acontecido nesse jogo pode apagar trinta anos de um extraordinário trabalho. O que aconteceu na semana passada só espanta quem não acompanha o futebol, o vê apenas através das lentes da quase totalidade da imprensa nacional ou sofre da maior doença nacional: a inveja.
Lembro-me sempre do Zulmiro Costa, meu padrinho, quando o FC Porto faz exibições como a da semana passada ou ganha mais um título. O sr. Costa morreu pouco depois de o FC Porto ter vencido o título que pôs termo a 19 anos de jejum, quando, em vez de se esforçarem por ganhar, os dirigentes portistas e adeptos gastavam o tempo a queixar-se das arbitragens e dos malandros de Lisboa.
Não é que não houvesse um fundo de verdade nas constantes queixas: recordo que até 1976 só um sócio do Sporting, Benfica ou Belenenses podia ser presidente da federação. Que foi preciso uma espécie de decreto de Salazar para impedir a saída do Eusébio do Benfica. Que árbitros como o Inocêncio Calabote vivessem na mais completa impunidade ou que ministros ameaçassem árbitros em intervalos de jogos.
Dizia o sr. Costa que apesar de essas desculpas terem alguma validade, não era isso que fazia com que o FC Porto nada ganhasse. Era preciso trabalho, organização e ambição, ou seja, tudo o que hoje sobeja ao FC Porto e falta aos outros clubes portugueses. Estava coberto de razão, o meu padrinho.
O que ele não pôde ver, nem provavelmente conseguiria imaginar, é que o clube do seu coração se transformasse na mais bem-sucedida organização portuguesa. Mais, que o FC Porto fosse, por mais de uma vez, o melhor da Europa e do mundo e que estivesse sempre nos maiores palcos, batendo-se de igual para igual com os maiores clubes de futebol do universo, ganhando mais vezes do que as que perde (da hegemonia caseira é inútil falar, e não só no futebol: o FC Porto é um clube ganhador em todas actividades desportivas em que está envolvido).
E é nessa comparação que surge, de forma clara, o fantástico trabalho feito. O Porto representa uma pequena e longe de rica cidade europeia (o que se devem rir os dirigentes do FC Porto quando ouvem discussões sobre se o clube é ou não regional), tem um pequeno número de sócios e adeptos e tem um orçamento ridiculamente pequeno face aos clubes com que tem de se confrontar. Vejam-se os clubes que ganharam as competições europeias e as cidades e regiões que estes representam e pode-se ter a medida exacta do alcance dos resultados obtidos.
Mas esta brilhante história transcende o próprio futebol.
Em nenhuma actividade, empresarial ou outra, Portugal conseguiu, nos últimos anos, ter uma empresa com o sucesso internacional do FC Porto. Que empresa portuguesa foi considerada a melhor da Europa - e através de critérios objectivos - nos últimos vinte e cinco anos?
A excelência da gestão do FC Porto tem em Portugal o efeito costumeiro de qualquer pessoa ou empresa que se destaque dos seus pares: inveja e maledicência. Portugal odeia vencedores.
Como é normal em Portugal, o sucesso deve-se a um conjunto de infâmias e "jogadas". O FC Porto ganha - segundo os inteligentes do costume - porque compra árbitros, droga os atletas, intimida jornalistas e adversários, entre outras manobras menos claras.
O trabalho, o empenho, a organização, a coesão interna, a ambição, a vontade de superação, a disciplina, o sacrifício são fáceis de exigir mas difíceis de replicar. O FC Porto representa esses valores como nenhuma outra organização portuguesa e é por isso que é alvo de tantos ódios, invejas e intrigas. "
Por Pedro Marques Lopes em 16 Abril 2009 no Diário de Noticias
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domingo, 19 de abril de 2009
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Tribunal das Antas
Saudades...
A 4 de Dezembro de 1949 foi simbolicamente lançada a primeira pedra, mas só a 16 de Janeiro do ano seguinte a construção do Estádio das Antas começou de facto. O presidente do FC Porto era na altura o Dr. Miguel Pereira. Oldemiro Carneiro e Miguel Resende foram, respectivamente, o arquitecto e o engenheiro responsáveis pelo projecto. Em pouco mais de dois anos ergueu-se o estádio, como símbolo do Futebol Clube do Porto e da solidariedade e união dos habitantes da cidade e do distrito em torno dele, não fossem essa solidariedade e união responsáveis por uma boa parte dos fundos necessários à construção do Estádio das Antas.
A Comissão Pró-Estádio, constituída por Portistas dedicados de alma e coração à causa, organizou uma série de iniciativas que mobilizaram o povo de todo o distrito do Porto. Dentre essas inciativas destacam-se os dois "cortejos de materiais", isto é, cortejos constituídos por carros, furgonetas e camionetas que se dirigiam para o estádio transportando materiais de construção para oferecer ao FC Porto. José Bacelar, sócio nº1 do clube, ofereceu o pagamento do primeiro dia de trabalho aos operários da obra.

Depois de muito sacrifício e dedicação, no dia 28 de Maio de 1952 foi inaugurado, com pompa e circunstância, o Estádio do Futebol Clube do Porto. Por se localizar no bairro das Antas, o povo passou a chamar-lhe "Estádio das Antas". Presidia ao clube na altura o Dr. Urgel Horta, e quem lá esteve afirma que foi um dia inesquecível.
Em 1976 procedeu-se ao fecho da porta da maratona e 10 anos depois ao rebaixamento, ficando o estádio com cerca de 90000 lugares. Depois de completamente encadeirado, no início dos anos 90, o Estádio das Antas ficou com cerca de 50000 lugares.
Como disse, vivi muitos momentos felizes no Estádio das Antas. E quem o frequenta há mais tempo do que eu viveu, naturalmente, mais momentos felizes ainda. A quebra do jejum em 1977, a recepção aos heróis de Viena em 1987, a Supertaça Europeia meses depois, entre tantas outras alegrias... Mais tarde, também eu estive presente em grandes momentos, como os cinco campeonatos do Penta, e só não estive na recepção aos heróis de Sevilha porque estava... a regressar de Sevilha. E tantas, tantas outras recordações, vividas ou ouvidas, tenho daquela que foi a nossa casa por tanto tempo. Apesar da espectacularidade do Estádio do Dragão, a despedida foi muito triste e muito dura. Mas o nosso querido Estádio das Antas nunca será esquecido. Homenageá-lo-ei eternamente no meu coração e na minha memória.

"www.tapirus.net"
A 4 de Dezembro de 1949 foi simbolicamente lançada a primeira pedra, mas só a 16 de Janeiro do ano seguinte a construção do Estádio das Antas começou de facto. O presidente do FC Porto era na altura o Dr. Miguel Pereira. Oldemiro Carneiro e Miguel Resende foram, respectivamente, o arquitecto e o engenheiro responsáveis pelo projecto. Em pouco mais de dois anos ergueu-se o estádio, como símbolo do Futebol Clube do Porto e da solidariedade e união dos habitantes da cidade e do distrito em torno dele, não fossem essa solidariedade e união responsáveis por uma boa parte dos fundos necessários à construção do Estádio das Antas.
A Comissão Pró-Estádio, constituída por Portistas dedicados de alma e coração à causa, organizou uma série de iniciativas que mobilizaram o povo de todo o distrito do Porto. Dentre essas inciativas destacam-se os dois "cortejos de materiais", isto é, cortejos constituídos por carros, furgonetas e camionetas que se dirigiam para o estádio transportando materiais de construção para oferecer ao FC Porto. José Bacelar, sócio nº1 do clube, ofereceu o pagamento do primeiro dia de trabalho aos operários da obra.

Depois de muito sacrifício e dedicação, no dia 28 de Maio de 1952 foi inaugurado, com pompa e circunstância, o Estádio do Futebol Clube do Porto. Por se localizar no bairro das Antas, o povo passou a chamar-lhe "Estádio das Antas". Presidia ao clube na altura o Dr. Urgel Horta, e quem lá esteve afirma que foi um dia inesquecível.
Em 1976 procedeu-se ao fecho da porta da maratona e 10 anos depois ao rebaixamento, ficando o estádio com cerca de 90000 lugares. Depois de completamente encadeirado, no início dos anos 90, o Estádio das Antas ficou com cerca de 50000 lugares.
Como disse, vivi muitos momentos felizes no Estádio das Antas. E quem o frequenta há mais tempo do que eu viveu, naturalmente, mais momentos felizes ainda. A quebra do jejum em 1977, a recepção aos heróis de Viena em 1987, a Supertaça Europeia meses depois, entre tantas outras alegrias... Mais tarde, também eu estive presente em grandes momentos, como os cinco campeonatos do Penta, e só não estive na recepção aos heróis de Sevilha porque estava... a regressar de Sevilha. E tantas, tantas outras recordações, vividas ou ouvidas, tenho daquela que foi a nossa casa por tanto tempo. Apesar da espectacularidade do Estádio do Dragão, a despedida foi muito triste e muito dura. Mas o nosso querido Estádio das Antas nunca será esquecido. Homenageá-lo-ei eternamente no meu coração e na minha memória.

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