sábado, 7 de fevereiro de 2009

Tribunal das Antas

Saudades...

A 4 de Dezembro de 1949 foi simbolicamente lançada a primeira pedra, mas só a 16 de Janeiro do ano seguinte a construção do Estádio das Antas começou de facto. O presidente do FC Porto era na altura o Dr. Miguel Pereira. Oldemiro Carneiro e Miguel Resende foram, respectivamente, o arquitecto e o engenheiro responsáveis pelo projecto. Em pouco mais de dois anos ergueu-se o estádio, como símbolo do Futebol Clube do Porto e da solidariedade e união dos habitantes da cidade e do distrito em torno dele, não fossem essa solidariedade e união responsáveis por uma boa parte dos fundos necessários à construção do Estádio das Antas.

A Comissão Pró-Estádio, constituída por Portistas dedicados de alma e coração à causa, organizou uma série de iniciativas que mobilizaram o povo de todo o distrito do Porto. Dentre essas inciativas destacam-se os dois "cortejos de materiais", isto é, cortejos constituídos por carros, furgonetas e camionetas que se dirigiam para o estádio transportando materiais de construção para oferecer ao FC Porto. José Bacelar, sócio nº1 do clube, ofereceu o pagamento do primeiro dia de trabalho aos operários da obra.



Depois de muito sacrifício e dedicação, no dia 28 de Maio de 1952 foi inaugurado, com pompa e circunstância, o Estádio do Futebol Clube do Porto. Por se localizar no bairro das Antas, o povo passou a chamar-lhe "Estádio das Antas". Presidia ao clube na altura o Dr. Urgel Horta, e quem lá esteve afirma que foi um dia inesquecível.

Em 1976 procedeu-se ao fecho da porta da maratona e 10 anos depois ao rebaixamento, ficando o estádio com cerca de 90000 lugares. Depois de completamente encadeirado, no início dos anos 90, o Estádio das Antas ficou com cerca de 50000 lugares.

Como disse, vivi muitos momentos felizes no Estádio das Antas. E quem o frequenta há mais tempo do que eu viveu, naturalmente, mais momentos felizes ainda. A quebra do jejum em 1977, a recepção aos heróis de Viena em 1987, a Supertaça Europeia meses depois, entre tantas outras alegrias... Mais tarde, também eu estive presente em grandes momentos, como os cinco campeonatos do Penta, e só não estive na recepção aos heróis de Sevilha porque estava... a regressar de Sevilha. E tantas, tantas outras recordações, vividas ou ouvidas, tenho daquela que foi a nossa casa por tanto tempo. Apesar da espectacularidade do Estádio do Dragão, a despedida foi muito triste e muito dura. Mas o nosso querido Estádio das Antas nunca será esquecido. Homenageá-lo-ei eternamente no meu coração e na minha memória.



"www.tapirus.net"

Um comentário:

dragao vila pouca disse...

Meu caro tantas saudades!...
Tantas glórias e tantas molhadelas, no tribunal das Antas, onde a paixão se notava a cada jogo.
As idas para o estádio com antecedência, para arranjar um bom lugar. As dificuldades nos dias de chuva para ver o futebol...- Tira o guarda-chuva da frente ó morcão!

Ali, o amor clubístico estava à flor da pele.

Logo, lá estarei a apoiar e a gritar, até que a voz me doa.

Um abraço